

A prática de Flávia Vieira desenvolve-se a partir das relações entre ecologia e história colonial, explorando noções de identidade e representação coletiva, diáspora botânica e alteridade. As narrativas culturais, históricas e políticas inscritas nos materiais e nos processos do fazer constituem um ponto de partida recorrente na sua investigação. O seu trabalho parte das histórias de circulação de plantas, matérias e territórios durante a expansão colonial europeia, explorando a forma como essas dinâmicas continuam a moldar os modos contemporâneos de classificar, domesticar e gerir o vivo. Através de uma abordagem interdisciplinar, articula investigação artística com história natural e pensamento pós-colonial, explorando as relações entre natureza, poder e representação. A cor surge como eixo central no seu trabalho, analisada nas suas dimensões materiais e políticas, frequentemente através da produção de pigmentos a partir de matérias orgânicas e minerais e da experimentação com processos de transformação da matéria.
O seu trabalho materializa-se sobretudo através da instalação, articulando elementos escultóricos em cerâmica e têxtil com dispositivos espaciais, imagem e som. A sua prática assenta numa metodologia processual que integra investigação, trabalho de campo e processos de produção manual.
É graduada pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Mestre em Comunicação e Artes pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Doutorada em Poéticas Visuais e Processos de Criação pelo Instituto de Artes da Unicamp em São Paulo, no Brasil.
Exposições individuais: Pele de barro, curadoria de Miguel von Hafe Pérez, CAV – Centro de Artes Visuais, Coimbra (2025); O tienes amor o comes barro, Centro de Arte Caja de Burgos – CAB, Burgos (2025); Duo, exposição de Flávia Vieira & Salomé Lamas, texto de Luís Pinto Nunes, KubikGallery, Lisboa (2025); Pau-Campeche, curadoria de Sofia Lemos, Galeria da Boavista – Galerias Municipais de Lisboa, Lisboa (2025); El otro color, curadoria de Bruno Leitão, Museu Nacional do Prado, Madrid (2025); Milagro – Dentro da Coleção, curadoria de Marta Mestre, Centro Internacional das Artes José de Guimarães, Guimarães (2024), Brasilina, texto de Luiza Teixeira de Freitas, KUBIKGallery, Porto (2021); Blush, KUBIKULO, Porto (2020); Pandã, texto de Thierry Freitas, Auroras, São Paulo, 2019; Hopes and Fears, curadoria de Marta Mestre, KubikGallery, Porto (2018).
Seleção de exposições coletivas: Corpo-Fantasma. Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE), curadoria de Marta Espiridião, Centro de Artes Villa Portela, Leiria (2026); Who Where, curadoria de Sara Antónia Matos e Pedro Faro, Espaço Coleção Arte Contemporânea – Galerias Municipais de Lisboa, Lisboa (2025); Ação à Distância, curadoria de Bernardo de Souza e Luisa Duarte, Galeria KUBIK, Lisboa (2024); Meu Corpo: Território de Disputa, curadoria de Galciani Neves, Galeria Nara Roesler, São Paulo (2023); Obscura Luz, curadoria de Kiki Mazzucchelli, Galeria Luisa Strina, São Paulo (2022); Forma do Desassossego, curadoria de Luisa Telles, Olhão, São Paulo (2022); Form der Unruhe, curadoria de Luisa Telles, MOM Art Space, Hamburgo (2022); Impluvium, curadoria de Óscar Faria, Galeria Àngeles Baños, Badajoz (2022); Tisanas – Infusões para Tempos Modernos, curadoria de Maria do Mar Fazenda, Fundação Eugénio de Almeida, Évora (2022); Focus: Portugal, curadoria de João Ribas, ArtToronto, Canadá (2019); Song for my hands, curadoria de Marta Mestre, Bienal de Curitiba, MON – Museu Óscar Niemeyer, Brasil (2017).
Atualmente participa do programa In Residence – Ateliers Municipais da CM do Porto.
Participou nas residências artísticas Matadero Madrid X ArtWorks – Madrid (2023) e Fundação Armando Álvares Penteado – São Paulo (2016).
Entre outras, o seu trabalho integra as coleções da Fundación Caja de Burgos (Espanha); do Instituto Inhotim (Brasil), a Coleção de Arte Contemporânea do Estado – CACE (Portugal), a Coleção Municipal de Arte da Câmara Municipal de Lisboa (Portugal), a Coleção Municipal de Arte da Câmara Municipal do Porto – PLÁKA (Portugal) e a Coleção Norlinda e José Lima (Portugal).
28 - 31 JUN 2026
ARCO Lisboa 2026
Corpo Vegetal
21 SET - 30 NOV 2025
A pele de barro – CAV Coimbra
Pele de Barro é uma obra que se desdobra em duas esculturas e uma intervenção na sala do CAV que foi pensada especificamente para o local.
A Pele de Barro convoca para si uma dimensão vivencial que é em si um processo de consciencialização. O espetador percorre a peça, sente o modo como esta se apropria do espaço e, por seu turno, ela devolve-lhe uma existência mutante, orgânica dir-se-ia.
Curadoria de Miguel von Hafe Pérez
A exposição “Pele de barro” esteve patente de 21 de Setembro de 2025 a 30 de Novembro de 2025.
19 JUL - 31 AGO 2025
Ambient Threads – Comporta
Exposição coletiva ‘Ambient Threads’, no piso 1 do Espaço Museológico Museu do Arroz, na Comporta, Portugal.
Participam da mostra: Ana Almeida Pinto, Flávia Vieira, Gabriel Giucci, Gonçalo Sena, Horácio Frutuoso, Isabel Carvalho, Mila Mayer, Mónica de Miranda, Pedro Barateiro, Pedro Paiva, Pedro Tudela, Raphael Tepedino, Sandra Gamarra Heshiki, Tiago Sant’Ana e Vasco Futscher.
13 JUN - 31 AGO 2025
O tienes amor comes barro – Fundación Caja de Burgos
Flávia Vieira apresenta um conjunto de cerâmicas desenvolvidas a partir deste enquadramento histórico e simbólico, utilizando matérias-primas provenientes dos mesmos territórios onde os *búcaros* eram tradicionalmente produzidos. Entre ecos coloniais e uma poética material, as obras propõem uma escuta atenta dos diferentes sedimentos que entrelaçam o tempo histórico, a criação artística, a ciência, o poder e até a própria terra, física e palpável, da qual extraímos a memória que nos construiu enquanto indivíduos e enquanto povos.
28 MAI - 1 JUN 2025
ARCO Lisboa 2025
A Kubikgallery apresentou as obras dos artistas Flávia Vieira, Pedro Vaz, Pedro Tudela, Sérgio Fernandes e Vasco Futscher na ARCO Lisboa no stand J05, na Cordoaria Nacional de Lisboa.
22 MAI - 21 JUN 2025
Duo
Os pigmentos extraídos da natureza revelam-se nas obras de Flávia Vieira como arquivos vivos da terra, trazendo à tona histórias invisíveis: vestígios de exploração colonial, mas também sinais de resistência, espiritualidade e saberes ancestrais. Cada tom, cada mancha de cor, é um testemunho histórico.
5 - 9 MAR 2025
ARCO Madrid 2025
A KUBIKGALLERY participou na ARCO Madrid 2025, com obras dos artistas Christian Rosa, Flávia Vieira, Manuella Silveira e Pedro Vaz. Também estiveram em exposição no nosso acervo, obras dos artistas Artur Lescher, Felipe Cohen, Gil Madeira, José Almeida Pereira, Leda Catunda, Manoela Medeiros, Maria Durão, Pedro Liñares, Pedro Tudela, Sérgio fernandes e Vasco Futscher. A feira ocorreu entre os dias 5 a 9 de Março de 2025, na IFEMA Madrid.
2025
El Otro Color – Museo Nacional del Prado Madrid, Espanha
O projeto ‘El otro color’, de Flávia Vieira, explora as relações coloniais e culturais entre a América Central e a Europa através da história do Palo de Campeche, uma árvore cujo pigmento negro influenciou a moda e a economia europeias nos séculos XVI e XVII. Apresentando imagens do único exemplar conhecido desta árvore em Espanha, bem como coleções do Museu do Prado e do Museu do Traje, o vídeo reflete criticamente sobre a identidade, o poder e a diáspora da cor preta no imaginário ocidental. (…) Excerto do texto de Bruno Leitão
2024
Milagro – Dentro da Coleção
Centro Internacional das Artes José de Guimarães – CIAJG
Guimarães, Portugal
‘Milagro’, de Flávia Vieira é um ensaio, um diálogo aberto e contingente com os artefactos pré-colombianos da coleção do CIAJG. Os trinta e três objetos são provenientes das culturas Inca, Chimú, Chancay, Moche, Azteca, Nicoya, Misteca, Talamameque, Nayarit, que ocuparam parte do território da América Central e do Sul, e que pertencem a um período cronológico entre 500 a.C a 1532 d.C, aproximadamente. A instalação, desdobrada em duas salas, evoca um pensamento espacial e cromático que recupera tradições manuais de um tempo que não existe mais.
Curadoria de João Terras e Marta Mestre; texto por Marta Mestre
17 SET - 03 NOV 2021
Brasilina
‘Brasilina’ é a segunda exposição individual de Flávia Vieira na Kubikgallery, no Porto. Não há como falar desta exposição sem contar antes uma história – a da ‘brasilina’. Foi apenas no século XIV que muitos pigmentos e métodos de tintura fizeram o seu caminho até à Europa.
18 SET - 14 NOV 2020
Blush
‘Blush’ encontra no pigmento da maquilhagem um sentido político, na medida em que participa de uma operação simbólica e ritualística. Seja em contextos ocidentais (na esfera individual, no teatro…), bem como em contextos não-ocidentais (pintura corporal nas culturas indígenas), a maquilhagem é a expressão de uma fantasia, de um disfarce, de um artifício, de uma ação fake. É nesta “cosmética” conferida pelo pigmento que uma “máscara” identitária é construída.
2019
Pandã
Sala de Projetos – Auroras São Paulo, Brasil
O trabalho com a lã faz parte do cotidiano de Flávia Vieira (1983, Portugal). Para construir as tecelagens que vem produzindo há alguns anos a artista necessita de tempo, disciplina e rigor técnico. Criadas ponto-a-ponto, de maneira artesanal e manual, e muitas vezes utilizando-se de pigmentos naturais, essas obras frequentemente trazem tecidas figuras baseadas em iconografias das pinturas corporais de povos indígenas brasileiros, como os Karajá e os Asurini. Em “Pandã”, instalação que ocupa a Sala de Projetos do auroras, Flávia discute o lugar da decoração no campo das artes visuais ao igualar hierarquias entre os materiais e ao misturar referências ditas “eruditas” e populares.
Texto de Thierry Freitas
26 MAI - 28 JUL 2018
Hopes and Fears
‘Hopes and Fears’ uma exposição individual da artista Flávia Vieira na Kubikgallery.