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    Meia Meia
    27 JUN - 20 SET 2025
    Vasco Futscher
    Sem título, 2025 Grês e pigmento cerâmico | Stoneware and ceramic pigment 73 x 32 x 18 cm
    Manuella Silveira
    Coice, 2025 Óleo sobre tela | Oil on canvas 40 x 40 cm
    Vasco Futscher
    Sem título (11:4), 2025 Grês e pigmento cerâmico | Stoneware and ceramic pigment 55 x 25 x 25 cm
    Manuella Silveira
    Fura bolo, 2025 Óleo sobre tela | Oil on canvas 40 x 40 cm
    Manuella Silveira
    Sala de espera, 2025 Óleo sobre tela | Oil on canvas 30 x 30 cm
    Manuella Silveira
    Pipoca, 2025 Óleo sobre tela | Oil on canvas 40 x 40 cm
    Vasco Futscher
    Sepultar os mortos, cuidar dos vivos, 2025 Grês | Stoneware 18 x 42 x 20 cm
    Manuella Silveira
    Capacho, 2025 Óleo sobre tela | Oil on canvas 90 x 80 cm
    Vasco Futscher
    As-if (2), 2025 Tijolos refratários, porcelana, e pigmentos cerâmicos | Refractory bricks, stoneware and ceramic pigments 22 x 34 x 11,5 cm
    Vasco Futscher
    Sem título, 2025 Grês e pigmento cerâmico | Stoneware and ceramic pigment 73 x 32 x 18 cm
    Manuella Silveira
    Queda de braço, 2025 Óleo sobre tela | Oil on canvas 170 x 150 cm
    Vasco Futscher
    Rainha de Paus, 2020 - 2025 Grês e pigmento cerâmico | Stoneware and ceramic pigment 60 x 25 x 24 cm
    Vasco Futscher
    As-if (1), 2025 Pins refratários, porcelana, e pigmentos cerâmicos | Refractory pins, stoneware and ceramic pigments 71 x 8 cm
    Vasco Futscher
    Queenʼs gambit, 2025 Grês e pigmento cerâmico | Stoneware and ceramic pigment 45 x 19 x 18 cm
    Vasco Futscher
    Tijolo por pedra, betume por cal, 2025 Grês e pigmento cerâmico | Stoneware and ceramic pigment 18 x 42 x 9 cm
    Manuella Silveira
    Cabeção, 2025 Óleo sobre tela | Oil on canvas 170 x 300 cm

    Entender uma exposição como um exercício de escuta, um encontro, um pretexto mais do que um texto.
    Entender o espaço expositivo como uma cena, no sentido teatral do termo, em que afinamos o ouvido, nos abrimos à interacção com outros corpos, presentes ou ausentes.

    O espaço de exposição é estranho por condição. Nele, uma certa percepção de presença coincide com uma irreprimível solidão, dir-se-ia existencial. É porque o espaço expositivo tudo amplifica: o palpável, o visível, o incorpóreo e o atmosférico.

    Meia Meia, glorioso e gracioso título, traduz um encontro ad impromptu entre dois artistas de gerações e tradições distintas que parecem conhecer-se desde sempre.
    O diálogo, dispositivo relacional tão raro quanto precioso nos tempos que vivemos, é fluído, desafiante e vibrante. Por isso, o encontro é tanto mais comovente.

    Nas pinturas de Manuella Silveira, a materialidade imanente mas ambígua convoca o olho para um trabalho háptico rente à superfície, uma espécie de escrutínio rasante e palpante. A pintura vibra não só cromaticamente, também texturalmente: incisões, ínfimos baixos-relevos, quase-figuras de pernas para o ar, elementos isolados de um corpo para formar outro: híbrido, divertido, absurdo. Metamorfoses ambulantes com nomes ora metonímicos ora performativos: Botadeira, Queda de Braço, Fujona…

    Nas esculturas de Vasco Futscher, quase-pinturas, ou pinturas que conquistam o espaço, entre o plinto e a parede, entre as artes da construção e as artes decorativas, o brutalismo e a graça, o folclórico e o minimal, o modernismo e o vernacular, uma geometria imperfeita em que a cor tanto se afaz à forma como marca o ritmo, o tempo do olhar, o desejo da mão. Estas peças existem num espaço liberto de constrangimentos disciplinares e por isso parecem flutuar no espaço: unidas por uma lógica construtiva, umas dialogam mais com a (história da) pintura, outras remetem para a experiência da arquitectura, a vivência do espaço urbano.

    Esta é uma exposição, ia dizer uma experiência, que nos devolve o corpo. Uma exposição-ressonância, feita de ecos e de remissões, um espaço em potência preparado para o encontro.

    — Nuno Faria