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    Cabinet of Constellations: How to tell the story of a gap
    26 JAN 2019 – 09 MAR 2019

    ‘How to tell the story of a gap’, é desenvolvido como uma segunda parte do projeto Cabinet of Constellations, nomeado no prémio Novo Banco Revelação 2018 e exposto em Serralves até ao final do mês de janeiro de 2019. A segunda parte deste projeto constitui-se por uma aproximação a narrativas e imaginário fragmentário das coleções de imagens, objetos e referências recolhidos e organizados ao longo do último ano.

    ‘Cabinet of Constellations’ (Parte I), desenvolvido entre 2017 e 2018, é um projeto baseado na exploração e investigação de referências e narrativas relacionadas com o passado colonial e a história de uma família.

    Este projeto começa com uma fotografia que tirei a um amigo no Sul de Espanha, na qual se encontra sozinho e é confrontado com a paisagem, o horizonte que mostra a costa do Norte de África. Considerei esta imagem, uma metáfora para a contemplação de uma forma de domínio exercida sobre territórios distantes e o impacto deste legado violento. Esta imagem é associada a vários objetos, referências e imagens numa abordagem metodológica com o intuito de explorar ligações e narrativas. Cada montagem potencia novas ligações, novas narrativas. O que aqui me interessa não é tanto a veracidade e correspondência histórica, mas as possibilidades abertas por narrativas propiciadas por este ato de montagem e ‘leitura’, interpretação de links, imagens e histórias.

    A forma como um país com um passado fortemente colonial, como Portugal, ensina e representa a História é, não surpreendentemente, através de uma perspetiva patriarcal e ocidental. Nem sempre reconhecemos este legado que subjugou outros territórios, a opressão e ‘obliteração’ de suas culturas, linguagem, memória. Esta atitude e discurso ajuda a perpetuar uma atitude de superioridade ocidental e patriarcal sobre estes episódios históricos. Daí a importância de considerar alternativas às narrativas estabelecidas. A prática de ‘storytelling’, exploração de diferentes narrativas, assim como o questionar da informação que temos, podem ser ferramentas importante para a compreensão da História e contextos sociais.

    Os objetos de família visíveis pertencem aos meus pais e foram passados por gerações, sendo que alguns deles é difícil saber o que são ou o contexto em que foram adquiridos. Foram estes objetos e utensílios comprados a artesãos locais em colónias ou num contexto de mercado mais complexo orientado para agradar o ‘gosto’ exótico dos compradores ocidentais? Em que circunstâncias estão estas imagens e objetos relacionados? O que significam num contexto familiar ou num contexto mais amplo?

    Ana Linhares (Vila do Conde, 1990)

    Licenciada em Belas Artes pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e atualmente frequenta o Mestrado de Belas Artes e Design na Hogeschool voor de Kunsten Utrecht (HKU), na Holanda, onde trabalha e vive. Ana Linhares explora imagem de uma forma experimental e conceptual, jogando com diferentes níveis de significado, para além do seu medium e características técnicas. A artista trabalha com temas como território, domínio colonial, memoria e a intervenção de ficção e a construção de narrativas e manipulação de histórias. O seu trabalho faz parte de coleções em Portugal, Espanha e Brasil. Atualmente está a estagiar na galeria Ellen de Bruijne Projects em Amesterdão. Participa regularmente em projetos e exposições coletivas e individuais desde 2012.

    Este ano ganhou o Prémio Residência Artística pela Fundación ENAIRE, JustMad 9, Madrid e foi uma das finalistas do Prémio Novo Banco Revelação 2018.