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    >e(c(o<
    25 MAI .2019 – 13 JUL 2019

    Eco como som produzido por uma reflexão, como som indistinto, rumor ou ruído; eco como prefixo: (eco)logia, palavra, discurso, linguagem, teoria; (eco)grafia, escrita, registo, estudo; (eco)nomia, regra, lei, uso; (eco)sistema, conjunto, grupo, combinação. Algures entre São Miguel e a Marinha Grande — lugares onde Pedro Tudela trabalhou em residência nos últimos meses — desenha-se a geografia líquida que deu origem ao projecto expositivo agora apresentado na Kubikgallery e que integra suportes tão diversos como objecto escultórico, escultura sonora, desenho e fotografia.

    Peças de vidro soprado sobre tábuas de madeira devolvidas pelo mar; pentagramas musicais como rasgos na paisagem costurados à máquina de coser com linha preta; as folhas de papel molhado que faz sobressair, em negativo, manchas, traços, sobreposições, desvios à grelha; objectos quase simétricos que se dispõem na parede em falso equilíbrio e em tensão oculta; imagens fotográficas que se desfazem em lava ou se rarefazem em névoa. A exposição abre com uma escultura sonora, definindo desde logo um modo perceptivo particularmente imersivo e em reverberação espacial que opera “uma reunião das intermitências compreendidas entre dois limites sonoros” — para citar a bela e justa frase do próprio autor. Não é insignificante que entremos na exposição pelo som [podemos fechar os olhos mas não podemos cerrar os ouvidos].

    A composição — uma extensa malha sónica que teve origem na gravação de gotas de água a cair num ralo no interior de uma estrutura arquitectónica em madeira — estabelece a estrutura conceptual de toda a exposição: enquanto eco, em modo de imitação, recordação ou vestígio, em falsa simetria ou rebatimento, como repetição de um som reenviado por um corpo. O nosso corpo. Como todas as intervenções de Pedro Tudela, “> e(c(o <“ é desenhada com um rigor geométrico não euclidiano.

    Quer dizer, em ínfimo delay ou em falsa simetria, num jogo de ecos que questiona, na duração e na extensão, isto é, nas dimensões espacial e temporal, “a capacidade do lugar (do sítio) se tornar numa outra coisa, seja pela relação do plano no espaço (factos que se sucedem uns aos outros) como pela comparação, que naturalmente fazemos, entre duas ou mais quantidades desiguais”.

    Nuno Faria

    Pedro Tudela (1962, Viseu, Portugal)

    Concluiu o Curso de Pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP) em 1987. Professor Auxiliar da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP). Enquanto aluno da ESBAP, foi cofundador do Grupo Missionário: organizou exposições nacionais e internacionais de pintura, arte postal e performance. Participa em vários festivais de performance desde 1982. Foi autor e apresentador dos programas de rádio escolhe um dedo e atmosfera reduzida na xfm, entre 1995 e 1996. Em 1992, por ocasião da exposição “Mute … life”, funda o coletivo multimédia Mute Life dept. [MLd]. Enveredou pela produção sonora em 1992, participando em concertos, performances e edições discográficas, em Portugal e no estrangeiro. Cofundador e um dos elementos do projeto multidisciplinar e de música digital @c. Membro fundador da media label Crónica. Trabalha em cenografia desde 2003. Expõe individualmente com regularidade desde 1981.

    Participa em inúmeras exposições coletivas em Portugal e no estrangeiro desde o início da década de 80. Encontra-se representado em museus, coleções públicas e particulares. Vive e trabalha no Porto.